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Hábito: Um remédio milagroso

Hábito: Um remédio milagroso
Emanuelly Medeiros
ago. 13 - 4 min de leitura
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Charlotte fala que, quando o tempo, as punições ou as recompensas não são eficazes na educação de uma criança, há um "remédio milagroso", que está à disposição do educador: "um costume supera outro". 

Ela está falando da formação de hábitos, um dos instrumentos educacionais, que caminha lado a lado com a Atmosfera do Lar e a Vida das Ideias.

As mães que se ocupam em treinar suas crianças em bons hábitos estarão garantindo dias suaves e confortáveis para si; ao passo que aquelas que negligenciam esse instrumento, estarão deixando as crianças entregues a sua natureza, as quais desenvolverão maus hábitos, gerando dias cansativos de intermináveis atritos.

Para desenvolver bons hábitos em seus filhos, as mães precisam desenvolver três qualidades em si mesmas: Tato, vigilância e persistência.

Isso significa que a mãe, ao dar uma ordem, precisa falar com cuidado, carinho, sem olhar de repreensão, esperando sinceramente que a criança irá cumprir o que foi dito (Tato). Além disso, ela precisa estar sempre vigilante para que a ação ocorra conforme o esperado, nunca "deixando passar", sempre pronta a lembrar seus filhos do seu dever (Vigilância). E precisam de Persistência, para incluir a ação na rotina, para que seja repetida dia após dia, sem vacilo, e assim o hábito será formado.

O Hábito estando formado, o que é um trabalho para algumas semanas, será necessário uma vida inteira para preservá-lo; mas preservar um bom hábito será um trabalho mais fácil do que superar um mau hábito.

Alguns hábitos infantis citados por Charlotte são: Higiene, Ordem, Limpeza, Regularidade e Pontualidade, os quais "devem envolver a criança como o ar que ela respira, e ela os assimilará de forma inconsciente".

Destes, me chamou atenção o Hábito da Ordem. As mães precisam evitar que o hábito da bagunça se instale. Uma criança de 2 anos já é capaz de guardar seus brinquedos e, para isso, Charlotte sugere que as mães façam com que guardá-los seja parte da brincadeira, um prazer em si. 

Além destes hábitos infantis, Charlotte fala sobre Hábitos da Mente e Hábitos Morais, os quais precisam de treinamento para serem desenvolvidos. São eles: Atenção, Aplicação, Raciocínio, Imaginação, Hábito de Guardar na Memória, Execução Perfeita, Obediência e Autenticidade.

O Hábito da Atenção é um dos mais importantes, porque, ao adquiri-lo, a criança estará apta para desenvolver seus talentos de forma integral e também porque a Atenção precede outros hábitos, como, por exemplo, o Hábito de Guardar na Memória. Por isso, o Hábito da Atenção deve ser cultivado desde a primeira infância. 

Para desenvolver tal Hábito, Charlotte dá algumas dicas: Adotar lições curtas, raramente ultrapassando 20 minutos para crianças com menos de 8 anos; ao se perceber que a criança começa a ficar "tola" durante uma lição, colocá-la para fazer outra diferente o máximo possível da anterior e depois, com a inteligência renovada, retornar para a primeira lição; usar as recompensas para garantir a atenção, mas que estas sejam consequências naturais da conduta. Entretanto, a maneira mais eficaz de despertar e prender a atenção da criança é fazer com que ela tenha prazer no conhecimento em si e que tal conhecimento seja atrativo e que gere um apetite real para ela. Daí a importância das Ideias Vivas... Só uma Ideia Viva é capaz de ser assim tão deliciosa a ponto de prender nossa atenção verdadeiramente.

É impressionante perceber como a Atmosfera, a Disciplina dos Hábitos e as Ideias Vivas estão inter-relacionadas. Eu diria que uma coisa depende da outra para existir... E que não há como educar plenamente sem atentar para cada uma dessas ferramentas.


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