Quando nós temos apenas um filho, ainda pequeno, algumas fases parecem que nunca vão passar. Parece que as noites nunca mais serão dormidas inteiras.
Que o choro não vai acabar.
Que as birras vão durar para sempre.
Que sempre haverá alguém precisando ser carregado, alimentado, vestido, colocado para dormir.
Mas hoje, tendo cinco filhos e crianças em diferentes fases da vida, eu consigo enxergar algo que eu não conseguia quando tinha apenas os pequenos: passa. E passa muito rápido.
Hoje eu conversava com uma amiga que está indo para o seu segundo filho, e fiquei pensando justamente nisso. Talvez uma das dádivas de já ter visto algumas fases terminarem seja aprender a olhar de outra maneira para aquelas que ainda estão acontecendo.
Eu me lembro de um dia na pracinha. Estava brincando com as crianças, pegando uma por uma no colo e rodopiando nos meus braços. Quando chegou a vez da minha filha, que tinha uns oito anos, eu tentei fazer o mesmo. E não consegui. Meus braços já não tinham força para girá-la como antes.
Naquele instante, uma coisa tão simples me atravessou: Qual foi a última vez que eu consegui fazer isso com ela? Eu não sabia. Em algum momento eu a peguei no colo, rodei, ouvi sua gargalhada e a coloquei no chão. E não sabia que aquela seria uma das últimas vezes. O tempo passou. Ela cresceu.
Hoje eu já não consigo rodopiá-la nos braços na pracinha. Mas posso me sentar ao seu lado e ter conversas que não tínhamos quando ela era pequena. Já não consigo fazê-la gargalhar com as mesmas mordidinhas e brincadeiras de criança. Mas posso dividir a cozinha com ela enquanto preparamos juntas uma refeição para a nossa família. Já não preciso cortar a carne do prato dela. Agora, muitas vezes, é ela quem me ajuda a cortar a carne dos irmãos.
E talvez seja isso que eu queira guardar no coração nesta estação da maternidade: não desejar tanto a próxima fase a ponto de perder a beleza desta. Porque a criança que hoje chora, pede colo, faz birra e nos chama tantas vezes durante o dia, em um piscar de olhos estará crescendo — e, um dia, será um adulto saindo do nosso lar.
Nós não sabemos quando será a última vez que carregaremos um filho no colo. A última vez que ele pedirá nossa mão para atravessar a rua. A última vez que precisará que cortemos a comida em seu prato. E talvez nem devamos saber. Talvez devamos simplesmente estar presentes. Receber o que existe para receber hoje. Servir como precisamos servir hoje. Abraçar enquanto ainda cabe nos braços. E, quando já não couber, descobrir as novas maneiras de caminhar perto.
Porque cada fase leva alguma coisa consigo, mas também traz algo novo. Eles crescem. E nós precisamos estar aqui para vê-los crescer.
Descobrindo Charlotte Mason
Descobrindo Charlotte Mason